Nos últimos meses, os juros futuros vêm apresentando uma crescente no seu valor. Com isso, o mercado financeiro do país tem acompanhado com atenção essa movimentação. Para os especialistas e os investidores, essa mudança representa um indicador para uma janela de oportunidade para explorar, por exemplo, a renda fixa.
Percebemos com o passado, que taxas mais elevadas, como CDBs, LCIs, LCAs e Tesouro Direto oferecem rentabilidades mais expressivas. Tornando-se alternativas valiosas tanto para quem busca estabilidade quanto para quem deseja maximizar os rendimentos em momentos de volatilidade.
Neste artigo, iremos explicar como o aumento dos juros futuros impacta na renda fixa, quais estratégias podem ser adotadas e quais são as perspectivas para o futuro.
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1. Como os juros futuros impactam na renda fixa?

O aumento crescente dos juros futuros têm impacto significativo na renda fixa, apresentando riscos (comentaremos no Tópico 3) como oportunidades. Pois as taxas futuras afetam diretamente o preço e a rentabilidade de diversos tipos de títulos, dependendo de suas características e prazos. Quando os juros futuros crescem, o mercado precifica títulos de Renda Fixa de forma a refletir esse novo cenário, ajustando as taxas oferecidas para novos investimentos.
Os juros futuros são influenciados por vários fatores, entre eles:
1) Inflação Esperada
Quando o mercado financeiro acredita que a inflação vai aumentar, os juros futuros tendem a aumentar, pois o Banco Central eleva a taxa Selic para conter a alta de preços.
2) Risco Fiscal
As expectativas de descontrole nas contas públicas podem elevar os juros futuros, pois os investidores demandam retornos maiores para compensar o risco.
3) Cenário Internacional
As taxas de juros em economias desenvolvidas e eventos globais, como crises ou mudanças no apetite ao risco, também podem influenciar.
Logo, podemos ver que o país vem passando por todos esses fatores atualmente. Com isso, a renda fixa vem sendo bem vista pelos investidores. Assim, os títulos pós-fixados atrelados ao CDI se beneficiam diretamente do aumento nas taxas de juros, pois sua rentabilidade acompanha as variações da taxa básica de juros. Os títulos prefixados tendem a cair no curto prazo, pois o mercado ajusta os preços para refletir as novas taxas mais altas, contudo, para novos investimentos, eles se tornam mais atrativos devido às taxas elevadas. Já os títulos indexados à inflação continuam sendo uma opção interessante para quem busca proteger o poder de compra, especialmente em períodos de alta inflação, e oferecem uma boa oportunidade com as taxas real e nominal mais altas.
2. Estratégias para aproveitar no momento
Como comentado anteriormente, o aumento dos juros futuros é uma excelente oportunidade para investimentos em renda fixa. Mas, assim como tudo na vida, é necessário um planejamento com estratégias bem definidas e alinhadas com os objetivos financeiros e o perfil de risco do investidor. Entre as estratégias a se fazer, podemos destacar:
1) Alocação em Títulos Pós-fixados
Usar como reserva de emergência os títulos pós-fixados devido à sua baixa volatilidade e liquidez diária (no caso do Tesouro Selic) é uma boa estratégia.
2) Apostar em Títulos atrelados à Inflação (+IPCA)
Outra estratégia boa, é priorizar títulos com vencimentos longos, como Tesouro IPCA+ 2035 ou 2045, aproveitando as taxas elevadas para ganhos no longo prazo.
3) Investir em Títulos Prefixados com taxas altas
Por fim, a possibilidade de travar uma taxa fixa alta garante previsibilidade e retorno elevado em um cenário de estabilização ou queda futura dos juros se torna bem atrativa nesse período.
3. Riscos a serem considerados
Apesar dos pontos positivos que existem com a taxa de juros futuros alta, é importante estar ligado nos riscos que vêm associados. Entre eles podemos destacar:
1) Risco de Marcação a Mercado
No período de alta dos juros, o preço dos títulos prefixados e atrelados à inflação tende a cair no mercado secundário. Isso acontece já que os novos títulos são emitidos com taxas mais altas, tornando os antigos menos atrativos.
2) Risco de Crédito
Em títulos emitidos por instituições financeiras ou empresas, existe o risco de inadimplência do emissor. Sendo assim, em períodos de juros altos, emissores mais fracos podem enfrentar dificuldades para honrar seus compromissos.
3) Risco de Liquidez
Representa a dificuldade de vender, pois alguns títulos de renda fixa possuem baixa liquidez. Sendo difícil vendê-los antes do vencimento sem sofrer perdas significativas.
4) Risco de Inflação não controlada
Caso a inflação permaneça alta por períodos longos, títulos prefixados podem perder atratividade, porque a taxa fixa contratada pode não acompanhar o aumento dos preços.
Portanto, com uma boa estratégia, o investidor pode aproveitar o cenário de juros altos sem comprometer a segurança financeira, ajustando sua exposição conforme o horizonte de investimento e o apetite ao risco.
4. Perspectivas futuras para a política monetária
Por fim, entender as perspectivas para a política monetária é fundamental para antecipar possíveis movimentos no mercado, já que os juros futuros têm aumentado com o passar dos anos. E também, porque a política monetária desempenha um papel central na definição dos juros futuros.
Independentemente do cenário que o país venha passando, o investidor que acompanhar as tendências do Banco Central e adotar uma abordagem diversificada estará bem posicionado.
Assim, cenários possíveis para o futuro dos juros é a estabilidade da Selic em níveis altos, uma redução gradual da Selic ou uma nova alta dos juros. Tudo vai depender de como o governo vai trabalhar com as dívidas do país, e como o Banco Central vai analisar essas medidas.