Nos últimos anos, aumentou busca dos brasileiros por conteúdos sobre ações e criptos. Com o avanço da digitalização, a popularização de plataformas de investimento e a busca por alternativas à tradicional poupança, cada vez mais pessoas têm procurado entender como fazer seu dinheiro render no longo prazo.
Essa crescente procura reflete não apenas um maior acesso à informação, mas também a necessidade de diversificação diante das incertezas econômicas. Neste artigo, exploramos os fatores que impulsionam essa tendência, as principais fontes de conhecimento buscadas pelos brasileiros e os desafios para quem deseja se aventurar nesses mercados.
1. Crescimento na busca por conteúdos sobre ações e criptos no Brasil
Nos últimos meses, mesmo com o crescente aumento da taxa Selic, sendo algo positivo para renda fixa e negativo para renda variável, aumentou busca dos brasileiro por ações e criptos. O dado é do relatório FInfluence, da Anbima, que aponta para uma mudança no comportamento da audiência nas redes sociais.
As ações renderam 73.939 menções entre janeiro e junho de 2024, pouco mais que o dobro das citações do segundo colocado, as criptomoedas, com 35.098 posts. O terceiro lugar ficou com câmbio, chegando a 19.000 citações. Mostrando que a renda fixa não conseguiu ficar nem na terceira posição.
Amanda Brum, gerente-executiva da Anbima, sinaliza que a pesquisa é positiva, e indica que as pessoas estão “descendo no funil”, interagindo com conteúdos mais complexos por interesse próprio.
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2. Fatores para busca
Essa mudança ocorre devido a uma combinação de fatores econômicos, sociais e comportamentais, que incluem:
1) Interesse por Diversificação
Com o aumento do conhecimento financeiro, muitos brasileiros passaram a compreender a importância de diversificar seus investimentos. Ações e criptomoedas se apresentam como alternativas que complementam a segurança da renda fixa, potencializando o crescimento do portfólio no longo prazo.
2) Atração pela Inovação das Criptomoedas
As criptomoedas atraem investidores pela tecnologia inovadora e pela ideia de descentralização financeira. Para muitos, investir nesse mercado representa participar de uma transformação global. Além disso, casos de ganhos impressionantes despertam a curiosidade de quem busca retornos rápidos.
3) Fatores Econômicos e Políticos
Incertezas econômicas, como desvalorização cambial e inflação, também impulsionam brasileiros a buscarem investimentos atrelados ao dólar ou mercados globais, como criptomoedas e ações de empresas estrangeiras. Esses ativos podem servir como uma forma de proteger o patrimônio contra instabilidades locais.
3. Influência dos YouTubers

Ainda usando como base o relatório, a rede social que os brasileiros mais usam para buscar informações sobre investimento é o YouTube. Cada vídeo registrou, em média, 9,02 mil interações esse ano, batendo com folga as interações do X, Facebook e Instagram.
Vale destacar que 31% dos influencers do país se encontram no YouTube, o que representa um aumento de 24,8% em relação ao relatório anterior. O número de perfis ativos na rede também cresceu, em 14,4%.
Amanda Brum, gerente-executiva da Anbima, destaca que os vídeos são mais elaborados e trabalham as discussões de forma mais aprofundada do que no Instagram e X. “Isso gera mais interação. Conseguimos verificar que as pessoas fazem pausas nos vídeos, possivelmente para fazer anotações, fazem comentários com dúvidas e interagem mais ativamente, seja por familiaridade com o conteúdo ou com o influenciador”, diz Amanda.
4. Desafios de investimentos em ações e criptomoedas no Brasil
Vale destacar que investir em ações e criptomoedas no Brasil pode ser uma estratégia promissora, mas vem acompanhado de desafios significativos que exigem atenção dos investidores. Estaremos alguns obstáculos a quem se interessa em investir nesses mercados:
1) Volatilidade
Tanto ações quanto criptomoedas são conhecidas por suas oscilações de preço. No caso das criptomoedas, a alta especulação e a falta de controle centralizado tornam os valores ainda mais imprevisíveis. Já no mercado de ações, fatores como política econômica e resultados financeiros das empresas podem causar mudanças abruptas.
2) Custo de investimento e tributação
Os custos envolvidos, como taxas de corretagem, custódia e impostos, podem ser um entrave, especialmente para pequenos investidores. No caso das criptomoedas, a tributação sobre ganhos de capital também é um ponto de atenção, já que muitos investidores desconhecem suas obrigações fiscais.
3) Questões regulatória
Enquanto o mercado de ações é bem estabelecido e regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o mercado de criptomoedas ainda enfrenta incertezas regulatórias. Embora avanços estejam sendo feitos, a ausência de regras claras pode gerar insegurança para novos investidores e abrir espaço para golpes.
4) Risco de golpes e fraudes
Como comentado acima, o mercado de ações apresenta certa segurança por parte do CVM, porém o mercado de criptomoedas, em especial, tem sido alvo de esquemas fraudulentos e pirâmides financeiras. Reconhecer plataformas confiáveis e fugir de promessas irreais de lucro são desafios constantes para os investidores.
Apesar desses obstáculos, com planejamento, estudo e o uso de plataformas confiáveis, é possível mitigar riscos e aproveitar as oportunidades oferecidas por esses mercados. O importante é investir com consciência e visão de longo prazo.